domingo, 24 de abril de 2011

YOGA por Sri Swami Sivananda

sivananda

 

YOGA

SRI SWAMI SIVANANDA

© Tradução de
Sri Swami Krishnapriyananda Saraswati
SOCIEDADE INTERNACIONAL GITA DO BRASIL
SANATANA DHARMA BRASIL
GITA ASHRAMA
90460-000 - Porto Alegre, RS
2006

Sumário

1. Definição de Yoga
2. O Yoga é universal
3. Isto não é Yoga
4. Pré-requisitos para a prática de Yoga
5. Benefícios da prática de Yoga
6. Cuidado com os Siddhis

 

1. Definição de Yoga


A palavra “Yoga” vem da raiz sânscrita “Yuj”, a qual significa “unir”. Este é um sentido espiritual; é um processo pelo qual a identidade da alma individual, e a Alma Suprema, é realizado pelo Yogi (praticante de Yoga); onde a alma humana introduz-se internamente em comunhão com a Realidade Divina. Assim como a cânfora se torna una com o fogo, assim como um gota d’água quando é jogada dentro do Oceano torna-se una com ele, a alma individual, quando purificada, quando está liberada da luxúria, avareza, ódio e egoísmo, quando ela se torna pura (Sattvica), torna-se una com a Alma Suprema. A ciência que ensina o caminho para conseguir o conhecimento oculto é chamada de “Yoga Sastra”.
Yoga, no seu sentido genérico, refere-se a Karma-Yoga, Bhakti-Yoga, Raja-Yoga, Jñana-Yoga, Hatha-Yoga, Mantra-Yoga, Laya-Yoga ou Kundalini-Yoga. No sentido restrito, significa Ashtanga-Yoga, ou Raja-Yoga, de Patañjali Maharishii, apenas.

A palavra Yoga é também aplicável no sentido secundário para todos os fatores e práticas que conduzem para a realização ou concretização do Yoga, e, como tal, indiretamente conduzem para a liberação ou perfeição final. Similarmente, aquele que tem alcançado o Asamprajñata Samadhi final, ou união com a Realidade, é chamado de Yogi, assim como aquele que está tentando adquirir a perfeição no Yoga é também chamado de Yogi.

A filosofia do Yoga é um entre os seis sistemas de filosofias Hindus. Diferente de muitas outras filosofias no mundo, ela é uma filosofia inteiramente prática. O Yoga é uma ciência exata, baseada em certas leis imutáveis da Natureza. Ele é bem conhecido pelas pessoas de todo o mundo, interessadas no estudo da civilização e cultura do Oriente, assegurando no respeito e na reverência nos seus conteúdos na chave mestra que abre as portas do reino da Paz, da Bem-aventurança, do Mistério e do Milagre. Até mesmo os filósofos do Ocidente encontram consolo e paz nesta Ciência Divina. Jesus Cristo, em si mesmo, foi um Yogi, de uma ordem superior, um verdadeiro Raja-Yogi. O considerado fundador do Yoga, Patañjali Maharishi, não foi unicamente um filósofo e um Yogi, mas um médico também. Ele viveu três mil anos antes de Jesus Cristo.

O Yoga é um estado de Paz Absoluta, de tal maneira que não há nenhuma fantasia nem pensamentos. O Yoga é o controle da mente e de suas modificações. O Yoga nos ensina como controlar as alterações da mente e obter a liberação. Ele nos ensina como transmutar a natureza pecadora e alcançar o estado de Divindade. Ele é a completa supressão da tendência da mente transformar em si mesma no interior dos objetos dos sentidos, pensamentos, etc. O Yoga extermina toda a espécie de dores, misérias e tribulações. Ele dá a você a liberação da roda de nascimentos e mortes (Samsara); e dos seus conseqüentes malefícios, doença e velhice, etc., e concede a você todos os poderes Divinos e a liberação final, por intermédio do conhecimento superintuicional.

Yoga é eqüanimidade. Yoga é serenidade. A destreza nas ações é Yoga. Qualquer coisa, de melhor e mais elevada pode ser realizada na vida é, também, Yoga. O Yoga é, desta forma, o que tudo abraça, o que tudo inclui, e a sua aplicação universal conduz ao desenvolvimento de todas as qualidades do corpo, da mente é da alma,

Primariamente, o Yoga é um estilo de vida, não é alguma coisa pela qual se separa da vida. Yoga não é o abandono da ação, mas a sua execução eficiente, de boa vontade. Yoga não o fugir de casa e da habitação humana, mas um processo de modelagem das atitudes de alguém na sua casa, na sociedade, com um novo entendimento. Yoga não é afastar-se da vida, é a espiritualização da vida.

 

2. O Yoga é universal


Yoga é para todos. O Yoga é universal. Ele não é um assunto sectário. Ele é um caminho para Deus, e não uma crença.
A prática do Yoga não se opõe a qualquer religião ou a qualquer igreja sagrada. Ele é puramente espiritual e universal. Ele não contradiz com qualquer que seja a fé sincera.

Yoga não é uma religião, mas é um apoio para a prática espiritual básica das verdades em todas as religiões. O Yoga pode ser praticado por um Cristão, ou Budista, por um Parsi, um Muçulmano, ou Sufi ou um ateísta.

Ser um Yogi significa ter a intenção de obediência continuamente em Deus e viver em paz com os homens. Yoga é a união com Deus. Yoga é a união com todos. Deus reside em todos.

 

3. Isto não é Yoga


Um homem consegue enterrar-se a si próprio numa caixa debaixo da terra. Ele faz isto por intermédio do tamponamento das narinas por Khechari Mudra. Isto é, sem dúvida, um difícil Kriya. Ele recebe Jada Samadhi. Este é um estado yióguico como um sono profundo. Os Samskaras e os Vasanas (desejos sutis), não são amigos para este tido de Samadhi. Eles não retornam com o conhecimento superintuicional. Isto Não concede Mukti ou liberação. Isto é apenas um tipo de façanha. Não é um sinal de espiritualidade. As pessoas utilizam-se deste Kriya para adquirirem dinheiro, nome e fama. Quando eles saem da caixa, eles esticam suas mãos para receber o dinheiro. Eles realizam algum tipo de negócio antes de entrarem na caixa.
Amarra-se as mãos e as pernas de um homem com corrente de ferro e colocam-no dentro de um quarto. Chaveie-se a porta diante de você, e ele irá pôr-se de pé na sua frente. Entre-se dentro da sala. Ele irá estar de novo lá. Não há dúvida, isto é muito, mas muito surpreendente. Mas isto é um mero truque. Isto é um tipo de Jalam (ilusão). Algumas pessoas podem ser sobre uma tábua cheia de pregos, com afiadas lâminas, e mastigar cobras como se fosse chocolate. Se você cravar uma longa agulha no braços deles não irá sair sangue. Alguns podem retirar água de pedra. Um Yogi charlatão pode executar este tipo de coisas através de algum truque ou Jalam. Mas isto nada tem a ver com o verdadeiro Yoga.

O povo irá aceitar um homem como sendo um Yogi ou Guru somente se ele exibir algum tipo de Siddhis. Isto é um grave engano. Eles não são dignos de crédulo. As pessoas se deixam enganar facilmente por um charlatão. As pessoa devem usar o poder de discriminação e raciocínio. É preciso estudar os caminhos, hábitos, natureza, conduta, Vritti, Svabhavam, antecedentes, etc., dos Gurus e testar seus conhecimentos das escrituras, antes de chegar a qualquer conclusão definitiva.

 

4. Pré-requisitos para a prática de Yoga


Pureza moral e espiritual são as aspirações dos primeiros passos do caminho do Yoga. Aquele que possui a mente calma; que possui fé nas palavras do seu Guru e nos Sastras; que é moderado no comer e no dormir, que possui intensa aspiração para liberar-se do Samsara-chakra (roda de nascimentos e mortes), é uma pessoa qualificada para praticar Yoga.
Um aspirante no caminho do Yoga deve possuir fé, energia, ânimo, coragem, paciência, perseverança, sinceridade, pureza; ser desprovido de desânimo mental, desapaixonado; possuir aspiração, concentração, serenidade, auto-controle, ser honesto, praticar a não-violência, e não ser cobiçoso, etc.

Uma vida modesta e simples é indispensável para o Yoga. O fundamento do Yoga é o auto-controle. A disciplina é a essência do Yoga; disciplinar o corpo é como disciplinar a mente.

Na prática do Yoga há uma mudança da atividade normal da mente. A estabilidade mental é essencial para a mudança, além da atividade normal da mente. A menos que a mente se faça firme, sob completo controle, primeiramente, não será possível mudar seu controle que segue em direção oposta.

 

5. Benefícios da Prática de Yoga

A vida nos dias de hoje está repleta de estresse, ten-são, de irritabilidade nervosa, de paixão e pressa. Se um homem colocar em prática um pouco dos elementares princípios do Yoga ele estará, de longe, equipado para lidar com a sua existência complexa.
O Yoga promove a perfeição, paz e felicidade duráveis. Você pode ter a calma da mente todo o tempo pela prática do Yoga. Você pode ter um sono tranqüilo. Você pode ter incrementada a sua energia, vitalidade, longevidade e o mais alto padrão de saúde. Você pode concentrar-se num curto espaço de tempo. Você pode ter sucesso em todo o estilo de vida. O Yoga irá infundir em você uma nova força, segurança e auto-confiança. O corpo e a mente serão seu sinal e chamada.

O Yoga traz suas emoções sobre controle. Ele in-crementa seu poder e concentração no trabalho. O Yoga concede disciplina, equilíbrio e tranqüilidade, e reconstrói, miraculosamente, a vida de alguém. O caminho da vida do Yoga aprofunda a compreensão do homem e o capacita para conhecer Deus e seu relacionamento para com Ele.

O Yoga conduz da ignorância para a sabedoria, da fraqueza para a força, da desarmonia para a harmonia, do ódio para o amor, da necessidade para a fartura, da limitação para a infinidade, da diversidade para a unida-de, da imperfeição para a perfeição. O Yoga concede esperança para o abatido e miserável; força ao fraco; saúde ao doente e sabedoria para o ignorante.

Através da disciplina do Yoga, a mente, o corpo e os órgão da fala, trabalham juntos harmoniosamente. Para um praticante de Yoga, uma nova visão de mundo, uma nova saúde, um novo anúncio e uma nova filosofia, rápida e vividamente transformam a sua vida.

Desejo por poder, ambição material, excitamento sensual, egoísmo, paixão por riqueza e os mais baixos apetites, puxam o homem da sua verdadeira vida no espírito para a vida materialista. Ele pode recuperar a sua honra divina se praticar, reta e seriamente, os princípios do Yoga. O Yoga transmuta a natureza animal em natureza divina, e ergue o homem para o pináculo da glória e do esplendor divino.

 

6. Cuidado com os Siddhis


Se um Yogi não for cuidadoso; se um Yogi não estiver bem estabelecido nas práticas preliminares de Yama e Niyama, ele será inconscientemente levado para fora do seu ideal pela tentação: Mara ou Satan. Ele usa seus poderes com finalidades egoístas e sofre uma queda sem esperança. Seu intelecto torna-se cego, pervertido e intoxicado. Seu entendimento nubla-se. Nem de longe ele é um Yogi. Ele se torna um mago negro, ou um Yogi charlatão. Ele é uma ovelha negra dentre os Yogis. Ele é uma ameaça para a sociedade de forma geral.
Muitas pessoas são atraídas para a prática de Pranayama e outros exercícios Yóguicos; cura psíquica por intermédio do Yoga, telepatia, toque de transferência, e outros grande Siddhis. Mas Yoga não é para a obtenção de Siddhis ou poderes. Se um estudante de Yoga tentar alcançar Siddhis a promoção do seu progresso será seriamente retardada. Ele se perderá do caminho.

Não pare com o Sadhana quando você receber um pouco de vislumbre e experiências. Continue a prática até que você alcance a perfeição. Não pare o exercício movendo-se de lá para cá. Não carecem os exemplos; numerosas pessoas foram arruinadas. Um vislumbre não pode dar a salvação para você.

O Yogi que está curvado sobre conseguir o mais elevado Samadhi deve rejeitar os Siddhis, não importando quando eles cheguem. Os Siddhis são seduções dos Devatas. Somente pela rejeição destes Siddhis alguém pode alcançar o sucesso no Yoga.

 

- SRI SWAMI SIVANANDA

Retirado de: http://www.gita.ddns.com.br/ensinamentos/yoga6.php#6

Postado Por:  Fr Gemini .’.

Morre o Guru Sathya Sai Baba

 

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24/04/2011 - Morre o Guru Sathya Sai Baba aos 86 anos. Segundo a mídia, Sai Baba, estava hospitalizado em sua cidade natal de Puttaparti há um mês e morreu de falência múltipla dos órgãos.

Sathya Sai Baba nasceu em 23 de novembro de 1926, numa pequena vila no sul da Índia, chamada Puttaparthi, no estado de Andhra Pradesh, onde recebe milhares de visitantes do mundo inteiro em sua comunidade espiritual (ashram), chamada Prasanthi Nilayam, que significa "Morada da Paz Suprema" (shanti=paz, pra=suprema, nilayam=morada).

De um pequeno salão rústico onde se reuniam para cantar e aprender os ensinamentos sagrados, em sua juventude, hoje Puttaparthi conta com estação de trem e até aeroporto, para receber o fluxo surgido do crescente e incessante movimento de pessoas que, ao ouvir falar sobre Sai Baba, manifestavam a vontade de conhecê-lo pessoalmente.

Atualmente, Prasanthi Nilayam conta até com Planetário e Estúdio Digital, bem como um Estádio de Esportes, diversas residências, acomodações para os visitantes, refeitórios (ocidental e indiano), bem como o Templo principal, conhecido como Mandir, para a celebração de festividades, sendo também espaço para meditações e outras práticas espirituais.

Apesar de muitos se aproximarem por curiosidade, o ashram, onde vivia Sai Baba, não é um lugar turístico, e sim um local onde um grupo de pessoas está voltado para um objetivo comum, que é a obtenção da Paz Interior através de íntima comunhão com o sagrado, com o Divino. Visando a alcançar tal objetivo, busca-se colocar em prática as orientações de Sai Baba, tais como: silêncio, meditação, serviço altruísta, canto de nomes sagrados, autoquestionamento e amor incondicional.

Recentemente, a quantidade de visitantes cresceu muito, tornando a simples visão de Sathya Sai um sinal de mérito. Nas festividades maiores, como o Natal, o Ano Novo, o Mahashivarathri e o Aniversário de Sai, conta-se aos milhares o número de hóspedes, aspirantes espirituais.

Os relatos de quem esteve lá são responsáveis por essa tendência de aumento continuar, por refletirem um ambiente de muito crescimento em autoconhecimento e experiências fraternas. Todavia, freqüentemente se recorda também do clima severo da Índia, que, com seu calor intenso, faz sofrer muitos peregrinos desavisados.

Nesse cenário estão presentes os maiores tesouros de Sathya Sai Baba: seus estudantes. Desde a educação infantil até o ensino superior, todas as instituições acadêmicas construídas ali trazem a grande marca da Educação Sathya Sai, centrada nos Valores Humanos em ação, e não meramente na memorização do conteúdo de livros.

O ser humano verdadeiramente educado é amoroso. Sathya Sai propõe, e os resultados confirmam, que trabalhar na raiz do problema é o meio de se resolvê-lo: cultivando o coração dos seres humanos, desde pequeninos, quando ainda estão em sua pureza original, ministrando a sabedoria da Unidade de toda a Vida. Estes irão, adiante, naturalmente multiplicar o amor recebido.

Apesar de toda sua fama como guru um documentário foi produzido pela BBC em 2004 supondo várias acusações de antigos seguidores que acusavam Sai Baba de pedofilia e abuso sexual. Polémica que, no entanto, nunca deu azo a investigações ou condenações ao guru indiano, nem nunca foram comprovadas.

 

Agaphe .’.

quinta-feira, 17 de março de 2011

O outro Jesus

A Bíblia não diz por onde andou o filho de Maria dos 13 aos 29 anos de idade. Lendas e histórias cultivadas na oralidade e transcritas para livros antigos têm a resposta

por Texto Michelle Veronese

Um homem sábio anda pelo mundo curando doentes e fazendo milagres enquanto prega uma mensagem de paz e amor ao próximo. Parece familiar? Bom, você não é o único que se lembrou de Jesus. Mas essa também é a história de Yus Asaf, curandeiro misterioso que visitou a Caxemira no século 1. E também a lenda de Issa, andarilho que estudou anos com sábios na Índia e no Tibete em busca da iluminação. Ou de Apolônio e de um certo budista. Todos são personagens que viveram no Oriente Médio na época de Cristo e têm biografias repletas de feitos espetaculares e mensagens de sabedoria. São tantas semelhanças que há quem acredite tratar-se todos da mesma pessoa. O que responderia um dos grandes mistérios do cristianismo, a chamada vida secreta de Jesus.

Sim, há algo oculto na biografia do Messias. Ninguém sabe onde ele esteve e o que fez dos 13 aos 29 anos. O Novo Testamento só menciona seu nascimento e uma aparição aos 12 anos, quando ele discute teologia com sábios do Templo de Jerusalém. “Depois disso, há um salto no tempo, e Cristo reaparece já com 30 anos sendo batizado por João, antes de começar sua pregação”, conta o teólogo Joel Antônio Ferreira, professor da Universidade Católica de Goiás.

A ausência de dados não surpreende os estudiosos da Bíblia. “Os evangelhos não têm uma preocupação histórica, pois foram escritos para anunciar uma mensagem religiosa”, justifica o teólogo Pedro Lima Vasconcelos, da PUC de São Paulo. Essa lacuna, no entanto, deu margem a várias especulações, como a de que Jesus passou 17 anos peregrinando pelo mundo. No roteiro, teria visitado a Índia, o Tibete, a China, a Pérsia (atual Irã) e países vizinhos. Alguns defendem que ele chegou até mesmo ao Japão e à Inglaterra. Em cada lugar, o Messias teria convivido com reis, sábios e homens santos de antigas tradições, sempre em busca dos fundamentos e lições de outras religiões e povos.

O pesquisador russo Nicholas Notovich, autor do livro A Vida Desconhecida deJesus, foi um dos principais defensores dessa teoria. No século 19, ele apresentou manuscritos antigos que narravam a vida de Issa, homem santo que, “ao completar 14 anos, deixou a casa dos pais, em Jerusalém, e partiu com um grupo de mercadores”. Notovich dizia ter encontrado os documentos num mosteiro tibetano e defendia que aquele homem era Jesus. Na opinião dos estudiosos da Bíblia, esse tipo de associação não faz sentido e deve ser encarada com muita cautela. “As religiões da Índia diferem muito das que surgiram no Oriente Médio. Logo, não tem fundamento relacionar Jesus a essas lendas”, diz Vasconcelos. De fato, não existem provas concretas da vida de Jesus, muito menos de todas essas histórias. Mas também não existem provas em contrário.

No rastro do Messias

Conheça alguns dos homens cuja identidade se confunde com a de Jesus

Yus Asaf, o curandeiro

No século 1, o andarilho Yus Asaf (“líder dos curados”, em persa), percorreu o Oriente Médio, realizando milagres e curas semelhantes aos de Jesus. Segundo essa versão, ele não teria morrido na cruz: aos 33 anos, teria seguido para o norte da Índia, onde viveria até os 120 anos. Seu suposto túmulo, em Srinagar, atrai peregrinos até hoje.

Origem: Caxemira.

Fontes: Tahrik-i-Kashmir (“História da Caxemira”) e a escritura hindu Bhavishya Mahapurana.

Quem acredita: seguidores da seita ahmadi, uma corrente do islã, e alguns adeptos do hinduísmo.

Apolônio, Da Capadócia

Lendas e livros antigos contam que Apolônio foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu de uma virgem e partiu jovem para conhecer o mundo. Controlava as leis da natureza, curava doentes e conseguia até evitar guerras. Apesar das coincidências, seu nome era Apolônio, da Capadócia (atual Turquia). Morreu em Éfeso, aos 100 anos. Só faltou ser na cruz.

Origem: Capadócia (atual Turquia).

Fontes: A Vida de Apolônio, livro do século 3.

Quem acreditava: pagãos do Império Romano.

Um bodisatwa budista

Uma lenda indiana diz que, para salvar Jesus da perseguição do rei Herodes, seus pais foram para o Egito. No caminho, ele teria convivido com budistas em Alexandria. O contato de Jesus com o budismo também está em A Vida de São Issa. Escrito no século 2, o texto fala de um profeta de Jerusalém que estudou num mosteiro do Nepal. Até hoje, budistas consideram Jesus um botisatva, “homem iluminado”, em sânscrito.

Origem: Egito, Índia e Tibete.

Fontes: A Vida de São Issa.

Quem acredita: alguns budistas.

Issa, o profeta

O Alcorão conta que o filho de Maria nasceu num dia de sol, na sombra de uma tamareira. Nesse livro, Jesus é conhecido como Issa, profeta da linhagem iniciada por Abraão e concluída por Maomé. Nessa versão, o suposto Jesus também não morre na cruz. “Não sendo, na realidade, certo que o mataram nem o crucificaram, mas o confundiram com outro”, diz o versículo 157, da 4ª surata.

Origem: Oriente Médio.

Fonte: Alcorão.

Quem acredita: muçulmanos