domingo, 25 de setembro de 2011

AMOR PRÓPRIO

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Um mendigo dos arredores de Madri esmolava nobremente. Disse-lhe um transeunte:
- O sr. não tem vergonha de se dedicar a mister tão infame, quando podia trabalhar?
- Senhor, - respondeu o pedinte - estou lhe pedindo dinheiro e não conselhos. - E com toda a dignidade castelhana virou-lhe as costas.
Era um mendigo soberbo. Um nada lhe feria a vaidade. Pedia esmola por amor de si mesmo, e por amor de si mesmo não suportava reprimendas.


Viajando pela Índia, topou um missionário com um faquir carregado de cadeias, nu como um macaco, deitado sobre o ventre e deixando-se chicotear em resgate dos pecados de seus patrícios hindus, que lhe davam algumas moedas do país.
- Que renúncia de si próprio! - dizia um dos espectadores.
- Renúncia de mim próprio? - retorquiu o faquir. - Ficai sabendo que não me deixo açoitar neste mundo senão para vos retribuir no outro. Quando fordes cavalo e eu cavaleiro.

 

Tiveram pois plena razão os que disseram ser o amor de nós mesmos a base de todos as nossas ações - na Índia, na Espanha como em toda a terra habitável.
Supérfluo é provar aos homens que têm rosto. Supérfluo também seria demonstrar-lhes possuírem amor próprio. O amor próprio é o instrumento da nossa conservação. Assemelha-se ao instrumento da perpetuação da espécie. Necessitamo-lo. É-nos caro. Deleita-nos - E cumpre ocultá-lo.

 

- Dicionario Filosofico – Voltaire

3 Requisitos para o Auto-conhecimento - Blavatsky

NARCISO

 

A primeira necessidade para obter-se conhecimento é tornar-se profundamente consciente da ignorância; sentir com cada fibra do coração que se é incessantemente auto-iludido.

O segundo requisito é a convicção ainda mais profunda de que tal conhecimento — tal conhecimento intuitivo e certo — pode ser obtido com esforço.

O terceiro e mais importante é uma indomável determinação de obter e confrontar este conhecimento.

Este auto-conhecimento não é obtido pelo que o homem usualmente chama de "auto-análise". Não é alcançado pelo raciocínio ou qualquer processo mental; pois é o despertar para a consciência da natureza Divina do homem.

Obter tal conhecimento é um feito maior do que dominar os elementos ou conhecer o futuro.

 

[Lúcifer, vol. I, no 2, outubro, 1887, p. 89]

[Autoria algo incerta, mas provavelmente de H.P.B.]

sábado, 17 de setembro de 2011

O Choro de Sansara

 

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La vem ela majestosa a dançar

Dor, sofrimento, com paços delicados

Flutuando com gestos ondulados

Como uma estrela a girar

 

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Vejo sobre uma nuvem de fumaça

Uma criança linda eternamente a girar

É Sansara, em sua louca dança

A louca dança que a todos faz chorar

 

Ela não entende, ela não irá parar

Estou preso, e ela a me amar

É o estranho amor dos deuses,

A sombra que a todos cobrirá

 

Não te querer é não te amar

Oh! Sansara o que te fará,

O que fará você parar de dançar?

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Seu giro, sua dança frenética

Nesse triste e obscuro vale

No amargo, e belo, rio de lagrima

Que todos temos que atravessar

 

Mas o que, doce menina, queres?

Deste amontoado de bizarros seres

Quem o teu poderoso circulo mágico

Poderá, romper?

 

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Por que não te querer é não te amar

Oh! Sansara o que te fará,

O que fará você parar de dançar?

 

Fr Gemini 21.’.